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terça-feira, 9 de junho de 2015

Especial para o Dia dos Namorados: Risoto de Morango e Queijo Brie

Risoto de morango e queijo brie - © Cecilia Santos (proibida a reprodução)

Minha sugestão para o jantar do Dia dos Namorados é este risoto de morango e queijo brie. É um prato bem fácil mas tem uma cara sofisticada. E em junho já tem morango para vender.

Você pode deixar o caldo adiantado, aí abre aquele vinho especial, que você e seu amor vão bebericando enquanto o risoto cozinha. Só não se percam nas preliminares e esqueçam de ir mexendo e hidratando o risoto, que é o segredo desse prato, para o arroz liberar aos pouquinhos o amido que vai produzir a cremosidade característica.

Você pode preparar o caldo com antecedência. Ali embaixo tem uma receita de um caldo basicão. Só, pelo amor de Cupido, não use aqueles caldos industrializados com gosto artificial, que isso seria uma heresia. Se sobrar caldo, você pode congelá-lo. 

O risoto deve ser feito com arroz arbóreo ou carnaroli. Senão, não é risoto.

Para a sobremesa, minha sugestão é o clafoutis de framboesa e amoras: http://www.cozinhadaceci.com.br/2012/08/clafoutis-de-framboesa-e-amoras-ou.html

Você pode preparar o clafoutis com outras frutas, como a ameixa fresca. Nesse caso, faça uma calda rala em uma frigideira ou panela larga. Lave e corte ao meio algumas ameixas e retire o caroço. Cozinhe as ameixas 5 minutos de cada lado (não mais do que 5 minutos). Retire, corte em fatias e utilize. Você pode acrescentar meio copo de vinho tinto à calda e cozinhar até reduzir. Fica uma delícia sobre sorvete ou mesmo sobre o clafoutis pronto.


Risoto de morango e queijo brie
Receita da minha amiga e jornalista Tâmara Freire

Rendimento: 2 porções
Preparo: 40 minutos
Dificuldade: fácil

Para o caldo vegetal (prepare antes de começar o risoto):
Ingredientes:
1 litro de água filtrada
1/2 cebola pique (sobre a metade de uma cebola sem pele, coloque uma folha de louro e prenda com 3 cravos-da-índia)
1 cenoura descascada e cortada ao meio
1 talo de salsão
Ervas frescas a gosto
Opcional: talos de cogumelo

Leve tudo a ferver por 30 minutos em fogo baixo. Coe e utilize. Congela muito bem. 

Para o risoto:

Ingredientes:
1 xícara de arroz arbóreo ou carnaroli
1 cebola pequena bem picada
1 dente de alho espremido
2 colheres (sopa) de azeite
sal a gosto
½ xícara de vinho branco
1 litro de caldo vegetal caseiro
1 colher (sopa) de manteiga
1 caixa de morangos lavados e picados
200 g de queijo brie em pedaços médios

Em uma panela, aqueça o azeite, doure a cebola, e quando ela começar a ficar transparente, adicione o alho e o sal e refogue ligeiramente.

Acrescente o arroz e refogue por 1 minuto, mexendo bem.

Despeje o vinho e mexa até o líquido começar a secar.

A partir de então, despeje uma concha de caldo vegetal caseiro por vez, adicionando a próxima quando parte do líquido tiver evaporado. Mantenha o caldo aquecido e mexa o risoto constantemente.

Quando o arroz estiver no ponto, ou seja, os grãos estão macios mas não moles e o risoto está bem úmido, desligue o fogo, adicione a manteiga e os morangos e mexa bem. Por fim, adicione o queijo brie e mexa com cuidado para não desmanchar demais.

Sirva imediatamente.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A comida das novelas: Arroz de forno da Penha

Hoje é o último capítulo da novela das 7 da Globo, Cheias de Charme. Várias amigas noveleiras virão aqui pra casa para assistirmos e nos emocionarmos juntas. Mas, desde quando final de novela da Globo virou motivo de comemoração?

Cheias de Charme teve 3 empregadas domésticas como protagonistas, o que não é exatamente estranho, dada a ascensão da classe C desde o governo do ex-presidente Lula, cuja economia permitiu um aumento de renda e trouxe essa camada da população para o universo do consumo, despertando, logicamente, o interesse do mercado e dos anunciantes de TV.

Mas a novela foi além: discutiu os direitos das trabalhadoras domésticas (sim, a vastíssima maioria das pessoas no trabalho doméstico é de mulheres, e a grande maioria destas é de mulheres negras), tocou na ferida da exploração do trabalho infantil, e no último capítulo vai mostrar a condenação do casal Sarmento por haver explorado o trabalho da empreguete Cida (personagem da atriz  Isabelle Drummond) desde os 12 anos de idade, em troca de casa e comida (o que é considerada situação análoga à escravidão), sem registro em carteira e sem direitos. Infelizmente, a prática de "pegar menina para criar" ainda persiste no Brasil, por incrível que pareça.

A novela foi um laboratório bem-sucedido de interação com a internet, e valeu-se da web também para promover conscientização sobre os aspectos legais do trabalho doméstico. Na trama, Penha (Taís Araújo) e Lygia (Malu Galli), que além de amigas (depois de terem sido empregada e patroa uma da outra), trabalham juntas no escritório Amaro Werneck, especializado em direito do trabalhador doméstico, gravam um vídeo sobre direitos e deveres de patrões/patroas e empregados(as), para ser publicado no site da empresa fictícia. Mas o site existe na vida real (vinculado ao site da novela) e, além do vídeo, contém links para reportagens e artigos sobre o tema. Mais do que mero entretenimento, está prestando um serviço público. Como não amar?

E houve cenas memoráveis, como aquela em que duas moradoras do condomínio Casagrande (nome, aliás, muito sugestivo) reclamam quando a Penha usa o elevador social e não o de serviço, e levam um esculacho de Otto (Leopoldo Pacheco). Apesar do ridículo da situação, a maioria dos condomínios de alto padrão aqui de São Paulo obriga as empregadas e babás a entrarem pela porta de serviço, e até aqui no meu prédio um síndico patético quis implementar a discriminação (que é proibida por lei), mas teve que recuar diante da reação dos moradores.

Para mim, em termos pessoais, foi a oportunidade de largar de preconceito contra as novelas, e hoje eu sou noveleira assumida e me divirto horrores com a minha rede de amigas comentando o capítulo no Twitter durante a exibição.

Uma dessas amigas noveleiras sugeriu que eu publicasse uma série de pratos das novelas, pois várias personagens produzem suas especialidades nas novelas e algumas receitas são publicadas em seu site.

Então eu preparei o arroz de forno da Penha quando essa amiga veio me visitar. A receita não foi publicada no site da novela, mas arroz de forno (que não é risoto, favor não confundir) é um prato que teve presença constante na minha infância, pois na minha casa de posses relativamente modestas, minha mãe o preparava para o almoço de aniversário de cada um de nós. Então é uma comidinha de memória afetiva que lembra comemoração.

E motivo para comemorar é o que não falta: um país um pouco menos injusto do que antes, onde as mulheres de baixa renda hoje começam a ter mais opções de trabalho, a informação circula mais do que antes e há esperança; uma novela engraçada e inovadora (que venham muitas outras); e claro, a amizade! Meu carinho por vocês, amigas feministas e noveleiras: Bia, Iara, Renata, Iara Ávila (vale ler o ótimo post da Iara sobre a novela aqui), Suely, Marília.



Arroz de forno

1/2 kg de arroz (usei arroz integral)
1/2 kg de sobrecoxas de frango desossadas e cortadas em cubo
2 gomos de calabresa cortada em cubos
200 g de ervilhas
50 g de azeitonas verdes descaroçadas e cortadas em rodelas
6 ovos cozidos, descascados e cortados em rodelas grossas
300 g de molho de tomate (de preferência caseiro)
200 g de mussarela
Temperos a gosto: cebola e alho picados, sal, pimenta-do-reino, cominho e salsa picada
Óleo ou azeite

Lave e escorra o arroz.
Frite bem a calabresa, escorra, reserve e descarte o óleo.
Refogue bem os temperos (exceto a salsa) em um pouco de óleo ou azeite, adicione os cubos de frango e refogue bem.
Coloque o arroz e água (se usar arroz integral, na proporção de 1 parte de arroz para 3 de água), tampe a panela e inicie o cozimento.
Mais ou menos no meio do tempo do cozimento, adicione as ervilhas e azeitonas.
Um pouco antes do término do cozimento, adicione o molho de tomate e acerte o sal. Por fim, coloque a salsa picada, desligue a panela e mantenha tampada por algum tempo para o arroz secar bem.
Coloque o arroz em um refratário, alternando com camadas de mussarela e ovos cozidos.
Leve ao forno durante alguns minutos para derreter o queijo.

Opcionalmente, você pode preparar um refogado e usar com arroz previamente cozido.